Inscrições SARU-2017

Para alunos da UNIFACS, os trabalhos referentes à XIV Semana de Análise Regional e Urbana - SARU serão aceitos até o dia 30/08/2017 . Com o tema "Cultura, Criatividade e Desafios Contemporâneos", poderão ser explorados conteúdos a partir dos seguintes Leia Mais

Inscrições XIV SARU 2017

Estão abertas as inscrições para XIV SARU Todos os detalhes sobre o evento você encontra SARU UNIFACS Clique aqui para acessar sua  Ficha Inscrição SARU 2017  , preencha e e envie para o e-mail: [email protected] e participe do maior evento de Análise Leia Mais

Stricto Sensu - Seu Jornal Acadêmico

O Stricto Sensu é um informativo digital, direcionado a comunidade acadêmica, dirigido pelo professor Dr. Noelio Dantaslé Spinola, fundador do Programa de Pós-Graduação de Desenvolvimento Regional e Urbano - PPDRU da Universidade Salvador - UNIFACS,  organizado e editado por Leia Mais

Semana de Análise Regional e Urbana - SARU 2017

Acontece em outubro a Semana de Análise Regional e Urbana - SARU, em sua XIV edição, onde será abordado o tema Cultura, Criatividade e Desafios Contemporâneos, a socialização do conhecimento através do o maior evento da comunidade acadêmica, organizado Leia Mais

CALENDÁRIO PARA SUBMISSÃO DE TRABALHOS À XIV SARU

-> Período de submissão: de 12 de Junho a 31 de Julho de 2017 -> Resultados da seleção: 25 de Agosto de 2017 -> Prazo final para envio por e-mail dos artigos ajustados, pôsteres e respectivas apresentações digitais: 25 de setembro de 2017 -> Leia Mais

A mobilidade urbana e seus problemas no contexto da expansão urbana

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A mobilidade urbana e seus  problemas no contexto da  expansão urbana

Imagem adaptação: Rafael Coelli

As grandes cidades brasileiras vêm sofrendo com os problemas relacionados à mobilidade urbana e aos seus sistemas de circulação e transportes. Com a aceleração da urbanização após a segunda guerra mundial, “as maiores cidades brasileiras começaram a vivenciar problemas graves de transportes e trânsito” (VASCONCELLOS, 2001, p. 22), conseqüência de planejamento urbano inadequado, do crescimento descontrolado da área urbana, do crescente aumento do número de veículos de uso individual, do sistema precário de transporte público, dentre outros.
Pode-se destacar que planejamento urbano e o sistema de circulação e transportes sempre estiveram associados, não devendo ser analisados de maneira isolada. Do mesmo modo, a gestão dos serviços de transporte coletivo urbano deve ser incluída neste contexto, pois se se apresentar desarticulada e inadequada às necessidades da população acaba por incentivar a utilização do transporte individual, intensificando os problemas relacionados à mobilidade urbana.
As discussões em torno desta temática incorporam desde a definição de algumas condicionantes relacionadas aos deslocamentos realizados no espaço urbano, para circulação de pessoas e bens através do uso das vias, até a construção de empreendimentos considerados Pólos Geradores de tráfego.

Intervenções para promoção da mobilidade urbana
É fato que a gestão administrativa das cidades precisa implementar medidas de gerenciamento da mobilidade, seja através dos serviços de engenharia de tráfego e da construção de vias alternativas de escoamento do fluxo, seja através da utilização de modais de grande capacidade com vistas à promoção de uma mudança de comportamento e atitude do cidadão usuário de automóvel particular. À medida que os problemas relacionados à mobilidade urbana se consolidam como uma realidade dos grandes centros, a gestão pública é chamada a refletir acerca do seu papel no processo de minimização destes impactos. Porém, não é incomum que a falta de planejamento leve à apresentação de propostas de ampliação ou readequação da infraestrutura, sem analisar as causas dos problemas e as condições existentes.
Prova disso é que mobilidade urbana é um tema atual e recorrente nos debates entre políticos e estudiosos, já que com o advento da Copa do Mundo 2014 e a eleição do Brasil como país organizador, as discussões acerca dos problemas de trânsito e dos longos congestionamentos – comuns nas cidades que sediarão os jogos – serem necessárias. Outro sim, a maioria delas não tem uma rede metroviária implantada e nem opções de transporte coletivo eficazes para atender à grande demanda de deslocamentos.

Desenvolvimento com mobilidade
É importante salientar que não se pode pensar o planejamento urbano de uma cidade apenas para adequá-lo à realização de eventos de curta duração. É preciso praticar o planejamento urbano centrado nos estudos de uso do solo e de transportes, objetivando a integração de diferentes modais e a melhoria do ambiente de circulação.
É necessário prever também situações que trazem consigo mudanças significativas para a cidade, a exemplo da construção de grandes empreendimentos como shopping centers, centros comerciais ou residenciais, universidades, haja vista os impactos que causam no tráfego do seu entorno. São os chamados Polos Geradores de Tráfego (PGT).
Se por um lado os PGTs produzem um grande número de viagens com reflexo negativo ao seu redor, por outro promovem a geração de novos empregos, a oferta de serviços, o aumento da renda per capita, além dos aspectos sociais e culturais, fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade. Deste modo, é fundamental que sua implantação seja incentivada, desde que ocorra com o mínimo de interferência e os projetos desses empreendimentos apresentem alternativas (previsão de infra-estrutura correspondente) para minimizar os impactos na mobilidade urbana da população.

Considerações finais
Os planejamentos urbano e de transporte e tráfego precisam ser analisados conjuntamente, para compreensão dos processos de uso da rede viária e do crescimento de uma cidade, abordando as intervenções. Governos e dirigentes podem ter opiniões divergentes e é natural que algumas medidas sejam calibradas para se adequarem a uma nova realidade. Porém, é indispensável que os planejamentos sejam isentos de qualquer viés político, posto que seus benefícios são para a cidade e sua população. Em especial, é necessário que os trabalhos de implantação das ações previstas nos planejamentos incorporem a realização de estudos complementares, o detalhamento de projetos e, no caso dos PGTs, a aprovação aconteça após análise criteriosa dos aspectos negativos para a população de sua área de influência.

Cláudia Sampaio de Jesus¹

Referências


¹. Graduada em Administração pela Faculdade Ruy Barbosa (FRB); especialista em Gestão Acadêmica pela UFBA; e mestranda do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano pela Universidade Salvador (UNIFACS). Profissional ligada à área de educação, atuou como a) Coordenadora de planejamento e ensino – atuando como pesquisadora institucional das Faculdades Nordeste (FANOR), Faculdade de Tecnologia Empresarial (FTE) e Área1; b) Coordenadora geral acadêmica e pesquisadora institucional da Faculdade Ruy Barbosa (FRB). Atualmente coordena o curso de Administração da UNIFACS, modalidade a distância, e atua como docente nos cursos de Bacharelado em Administração; Bacharelado em Comunicação e Marketing; Bacharelado em Ciências Contábeis e Tecnológico em Gestão Comercial da UNIFACS. Na área administrativa, possui experiência como gestora de Processos Organizacionais e Sistema de Qualidade ISO9000, em empresas nacionais e multinacional.

BOECHAT, Norberto Serádio. No Envelhecimento: O que Queremos? Rio de Janeiro: Frôntis Editorial, 1999. (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara. Transporte urbano, espaço e eqüidade: análise das políticas públicas . 2. ed. São Paulo: Annablume, 2001.

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A crise da democracia burguesa

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Democracia Burguesa (2)A crise da democracia burguesa

Não basta, ao modo de produção capitalista, para manter-se e reproduzir-se, ter o Estado como instrumento ativo e efetivo; é preciso ter a legitimação social para lhe garantir as necessárias condições de estabilidade. A democracia é a forma de governo mais apropriada por permitir aos cidadãos a sensação de que estão, de fato, participando das decisões sobre os destinos da sociedade. Não importam se os fundamentos estão em Maquiavel ou Rousseau. Interessa apenas que sejam institucionalizados os instrumentos que garantam a continuidade do processo de extração e apropriação da mais valia produzida pelos trabalhadores para o enriquecimento cada vez maior dos detentores do capital e fortalecimento do Estado. Assim, mantêm-se as condições de subordinação necessárias a todo regime de exploração e de desigualdades.Mas a democracia representativa, republicana (nos discursos), parece ameaçada por um sistema eleitoral definido conforme as regras do capital e pela corrupção institucionalizada. A igualdade de direitos e de oportunidades, definidas em leis, fica restrita aos textos legais. É progressiva a seleção, nos pleitos eleitorais (nas três esferas da República), dos candidatos que selem acordos com o capital; ficam cada vez mais distantes das possibilidades de êxito eleitoral aqueles candidatos que efetivamente representam e defendem os legítimos interesses da sociedade e menos ainda, dos trabalhadores. A compra e a venda do voto viraram regra, seja da forma mais escancarada, com o pagamento em dinheiro (de origem ilícita, quase sempre), seja de formas camufladas (através da troca por serviços públicos de saúde, por emprego etc.). É pública, portanto, a corrupção eleitoral, mas a Justiça continua cega.

Em 1996 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apoiada pela OAB e várias organizações da sociedade civil, desenvolveu uma campanha contra a corrupção eleitoral, resultando na Lei 9.840, em 1999, que ficou conhecida como a Lei contra a Corrupção. Nesse período, criou-se o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) que conta hoje com mais de 9.800 comitês instalados em todo Brasil. Recentemente, também sob a liderança da Igreja Católica, conseguiu-se aprovar (na marra) o “Projeto Ficha Limpa” que resultou na Lei Complementar nº 135/2010, que foi depois jogada na cesta de lixo pelo Poder Judiciário. Mas, além disso, há a corrupção institucionalizada no Estado e alimentada por muitos daqueles que são eleitos pelos meios eticamente condenáveis. Estima-se que 30% de tudo que se produz no Brasil desaparecem pelo ralo da corrupção. Como produzimos, em 2010, mais de R$ 3 trilhões (nosso PIB) , um trilhão de reais caiu nos bolsos dos corruptos, o suficiente para construir 20 milhões de casas populares. Na outra ponta, as nossas necessidades: 20 milhões de famintos, 90 milhões de analfabetos técnicos e funcionais, poucas vagas nas universidades públicas, serviços públicos de saúde precários, 3 milhões de crianças que trabalham, salários de professores e policiais defasados e por aí vai.
Em 1998, a Constituição Cidadã, incorporou mecanismos para o exercício da democracia direta, fruto de muitas mobilizações e articulações empreendidas especialmente por organizações não governamentais, ainda durante a ditadura militar. Institucionalizaram-se os Conselhos Populares nas esferas municipal, estadual e federal; uma brilhante invenção da democracia brasileira, nos termos em que foram criados.
O texto legal estabelece que os Conselhos são espaços institucionalizados de definição, controle e fiscalização das políticas públicas. A sociedade brasileira vibrou eufórica. Todos acreditavam que a partir de então haveria um instrumento que permitiria que as representações populares participassem das decisões governamentais para a implementação de políticas públicas. Ledo engano. A confusão entre ambiente público e do ambiente privado que se estabeleceu desde épocas coloniais (HOLANDA, 1973), onde ocupantes de cargos públicos os utilizam em benefício próprio, de parentes e amigos, continua ainda nos dias de hoje. Para a esfera dos Conselhos Populares, especialmente nos municípios interioranos, o conceito de democracia participativa é mero ornamento; alimenta-se toda uma cultura de é dando que se recebe, de favor com favor se paga e os conselheiros, vulneráveis socialmente, preferem submeter-se aos caprichos dos mandatários do que lutar pelo cumprimento do dispositivo constitucional, mantendo-se verdadeiras dinastias políticas que substituem as velhas e odiadas oligarquias, abrindo mão da utopia militante que trata Francisco de Oliveira (OLIVEIRA, 1977).
A criação dos Conselhos de Gestão, longe de se constituir um instrumento de democracia participativa, responde à necessidade de mudanças no funcionamento do Estado, especialmente da centralização dos governos: era preciso alterar substancialmente as práticas governamentais como requisito para o exercício da democracia, onde a participação dos movimentos sociais – a idolatrada participação cidadã – é posta como requisito indispensável. Atende, por conseguinte, a três ordens de questões: a descentralização, vista como uma resposta à crise fiscal do Estado; a necessidade de democratizar as políticas públicas, criando-se espaço de participação social; e as novas formas de relacionamento entre o público e o privado (MATTEI, 2010). Com isso, o debate distancia-se cada vez mais das questões relativas à organização da base material da sociedade e da distribuição das riquezas, canalizando-se toda energia para a construção de um novo conceito de sociedade civil enquanto espaço público não estatal com funções de participação na definição, execução, controle e fiscalização das políticas públicas setoriais. E mais: os Conselhos Populares tornaram-se um instrumento privilegiado para a administração dos conflitos sociais, garantindo assim a estabilidade necessária ao modo de produção capitalista.

Ildes Ferreira de Oliveira¹

1. Sociólogo, doutorando do Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano e Regional da (UNIFACS-Laureate); Mestre em Sociologia Rural (UFPB); Bacharel em Ciências Sociais (UFBA); professor titular do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual Feira de Santana (UEFS); assessor para assuntos de territórios do Movimento de Organização Comunitária (MOC). Coordenador dos projetos “Célula Territorial” Território de Identidade do Sisal da Bahia (CNPq-SDT) e “Produção e Comercialização de Capachos de Sisal” em Valente-BA (FAPESB); vice-coordenador do projeto “Indicação Geográfica do Sisal” (UEFS-UFRB/FAPESB).
2. IBGE- 2011
3. São muitos os casos, no Brasil, onde pais e filhos, numa mesma família, ocupam cargos de mando nas Prefeituras Municipais, Assembléias Legislativas dos Estados, Câmara Federal e Senado Federal, revezando-se conforme as circunstâncias.

Referências
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 7ª. ed, Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.
MATTEI, Lauro et all. Institucionalidade e Protagonismo Político: os 10 anos do CONDRAF. Brasília: CONDRAF, 2010.
MARX, CARL OLIVEIRA, Francisco de. Caminhos da Institucionalização: Cooperação Internacional, Estado e Filantropia. In: Cadernos CEBRAP (Centro Brasileiro de Pesquisa e Planejamento), nº 6. São Paulo: 1997.

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Marco teórico dos estudos de economia regional aplicado ao estado da Bahia

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Imagem Adaptada: Rafael Coelli/Stricto Sensu

Bahia de regiões nodais e centrais

Regiões Nodais e Lugares Centrais

A teoria das Regiões Nodais e Lugares Centrais, de Walter Christaller (1933), parte da consideração de que as regiões se estruturam em função da localização dos núcleos urbanos na rede intermodal de transportes, evidenciando a distribuição interna dos fluxos de mercadorias para os centros primários de distribuição e destes para os maiores centros consumidores dentro e fora do espaço regional. Nesta medida, os pontos ao longo do sistema viário que concentram os serviços comerciais e de apoio às atividades produtivas tendem a conformar áreas de maior dinamismo dos processos demográficos, de formação de renda e de geração de emprego, induzindo a ampliação das vias que se direcionam dos municípios de menor porte para esses centros e a melhoria das linhas troncos, intensificando as trocas intra e extras regionais a partir desses pontos privilegiados de características estritamente urbanas, face aos efeitos multiplicadores decorrentes da concentração expansão dos serviços e da população, que aí encontra maiores oportunidades de ocupação e de aquisição de renda monetária.
A dinâmica urbana e o direcionamento das vias de penetração axial na direção dessas grandes aglomerações regionais acabam por estabelecer uma ampla articulação das bases econômicas da região com outras que lhe são adjacentes, e mesmo com outras mais distantes, a depender da sua posição no sistema de transportes e do seu  porte demográfico, criando as condições para a realização de grandes e pequenos negócios, em todos os setores da economia, amplificados pela urbanização que se acelera com o passar do tempo. Esses lugares centrais são, na maioria das vezes, e não por acaso, coincidentes com os pontos de convergência das vias de transporte, tornando-se locais de passagem obrigatória das cargas e de organização dos serviços de apoio a produção na região. Os centros assim constituídos e os espaços de influência direta das vias que para aí se direcionam definem, então, nódulos nas redes de transportes, em especial quanto à modalidade rodoviária, estabelecendo de forma evidente Regiões Nodais fortemente polarizadas por aqueles lugares centrais.
Na Bahia, no processo histórico de integração dos espaços regionais e do Estado com outras macrorregiões do Brasil, Salvador é um lugar central desde o período colonial, com o seu porto articulado às vias fluviais e aos roteiros litorâneos direcionados do Recôncavo e das áreas ao Sul e ao Norte para a capital administrativa do império português no Atlântico Sul. Os caminhos naturais das boiadas, desde o Sertão do São Francisco, da zona pecuária do atual Sudoeste e do Litoral Norte até Sergipe, transformaram-se em rodovias nos anos 50/60, e o advento das BR ‘s 116 (Rio-Bahia) e 101 possibilitou a criação de novas nódulos viários, determinando o surgimento de lugares centrais como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Jequié, Ilhéus e Itabuna, Eunápolis e Teixeira de Freitas. Novos estirões rodoviários, convergentes para antigos centros, estabeleceram as condições para a formação de Regiões Nodais em torno de Juazeiro (na BR-407) e Jacobina (na BR-324), Alagoinhas (na BA-093), Itaberaba e Seabra (na BR-242).O antigo Além do São Francisco, após a extensão das vias do Oeste do Brasil na direção de Brasília, rapidamente transformou-se em uma dinâmica fronteira agropecuária, centralizando-se em Barreiras (na BR-242) a prestação dos serviços que determinaram o estabelecimento da sua região onde desponta mais recentemente Luís Eduardo Magalhães. A construção da “Estrada do Feijão” (BA-052) viabilizou a emergência de Irecê e a extensão da BR-110 pelo Sertão destacou as possibilidades de Paulo Afonso como um lugar central no espaço fronteiriço da Bahia com Pernambuco, Alagoas e Sergipe, ainda com certas carências na integração viária.
Pontos emergentes nos espaços regionais estão se desenvolvendo com a construção de estradas de penetração no sentido Oeste-Leste, a exemplo de Brumado e Guanambi (na BR-030), Itapetinga ( na BR-263), Ibotirama, Santa Maria da Vitória e Bom Jesus da Lapa (na confluência do São Francisco com o sistema rodoviário do Oeste).
No sentido Norte-Sul, a complementação da rede viária tem destacado o potencial urbano de Santo Antonio de Jesus (na BR-1O1 e no complexo intermodal de transportes da Grande Salvador) e de Valença (reforçado pela ampliação da BA-001), bem como de Ipiaú (na BR-330, dentro da área de influência de Jequié e Vitória da Conquista), de Serrinha e Ribeira do Pombal na BR-116 Norte, dentro da área sob a subordinação de Feira de Santana, o maior entroncamento rodoviário do Estado. A Linha Verde (BA-099), eixo viário de extensão da influência de Salvador no Litoral Norte turístico, abre novas perspectivas de surgimento de lugares centrais em um espaço até agora desprovido de centros urbanos, despontando Camaçari (no vetor da ,economia do turismo, que reforça a sua posição no vetor da economia industrial da RMS), Mata de São João e Porto Sauipe (com os megaprojetos de turismo) como os pontos em que poderão se constituir nódulos viários de alcance limitado, porém de forte capacidade de complementação interregional e intersetorial na Bahia, via o turismo e a agroindústria, independente dessa mesma perspectiva em outras áreas do Estado, com outras combinações de atividades produtivas.

Cidades Primazes e Log-Normais
Dentro de urna perspectiva histórica que incluí elementos determinantes de ordem geográfica (localização e fatores naturais avoráveis) e/ou político-administrativa (cidades sedes de impérios, capitais coloniais, centros portuários de comércio ultra marino), a formação das regiões e dos sistemas regionais de maior complexidade se evidencia ao planejador com a utilização da teoria de Brian Berry sobre a Distribuição das Cidades por Tamanho (1961), em função do modo com que se organizou a administração para alcançar todos os pontos da região com os seus serviços e a cobrança de tributos – centralizada ou descentralizadamente.
As duas distribuições constatadas por Berry, em pesquisa realizada em 37 países, foram por ele denominadas de primaz e log-normal, revelando que países colonizados no passado por metrópoles estrangeiras tendem a apresentar um único grande centro, a capital, que será a cidade-primaz do sistema, com forte concentração da riqueza e de população em sua área urbana.
Inversamente, quando vários fatores atuam de forma aleatória, como pode acorrer em áreas distantes do centro de um sistema de primazia ou quando a ocupação do território, até então inexplorado se faz de modo espontâneo por deslocamentos de levas migrantes (oeste americano) , dá-se uma distribuição log-normal, com várias cidades de dimensão demográfica equivalente sediando áreas econômicas diferenciadas por suas bases próprias, sem que uma delas se destaque das demais no contexto global. É um sistema não estelar – porque lhe falta um centro, mas a formação e consolidação da rede de transporte tem alterado as participações relativas de cada núcleo no PIB e na influencia política e econômica que exibem os centros consolidados, comparativamente a outros, emergentes nas diferentes regiões.
No caso da Bahia, a inconteste primazia de Salvador e da sua Região Metropolitana tem sido matizada, ao longo das quatro últimas décadas, pela influência de outras cidades (chamadas de 2ª ordem, na teoria de Christaller) sobre vastas áreas do interior, de forma exclusiva nos seus subespaços e conformando uma rede de cidades articuladas pelos grandes troncos viários. As ligações dessas regiões e suas cidades líderes se fazem de modos distintos, a depender dos mercados a que se destinem os seus produtos. Através dos grandes centros regionais, as regiões da Bahia estão integradas ao macro sistema das regiões brasileiras, com foco em São Paulo, tendo a RMS como 3º polo demográfico do país, com intensas relações de comércio inter-regional.
Salvador permanece tendo a sua forte centralidade e primazia, com a log-normalidade se evidenciando no interior, a partir de cidades como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Itabuna – Ilhéus, Juazeiro, Jequié, Jacobina, Irecê, Paulo Afonso, Barreiras, Alagoinhas, com suas áreas de influencia delimitadas pela influencia contrária dos centros de regiões adjacentes, na fronteira entre elas. Não se deve perder de vista que a presença de Salvador em todas as regiões do Estado se superpõe e até reforça o papel das cidades regionais, por exercer-se nos aspectos econômicos e político-administrativos, como centro das decisões e da estrutura organizacional do governo baiano. Evidente que estas regiões, que poderiam ser chamadas ao mesmo tempo de econômicas e de influência urbana , requerem o surgimento de sub centros que complementem e repartam a função polarizante das cidades médias ou de 2ª ordem sobre subespaços menores, garantindo maior eficiência na distribuição da produção e uma hierarquização das demandas por serviços, com as especializações (hospitais, escolas de 2º grau e de nível superior, bancos, sedes de órgãos fiscais, indústrias de maior porte, armazéns atacadistas, hotéis classificados, etc.) se concentrando em maior proporção nos centros regionais de negócios. A população migrante é também um elemento importante na determinação do potencial desses sub centros, fazendo crescer desmesuradamente algumas cidades em relação ao potencial de oferta de serviços públicos, emprego e renda, notadamente no presente, face aos efeitos da seca e das pragas sobre a produção primária em todo o Estado.

Feira de Santana – Maior entroncamento Rodoviário do Norte e Nordeste Brasileiro
Imagem: www.uefs.br/cnmem/local.html

Salvador e as capitais regionais tem sofrido com o acelerado processo de ocupação do tecido urbano e de urbanização, retratada na favelização crescente das suas periferias, e outras cidades começam a evidenciar os mesmos processos de crescimento migratório.

Muitas dessas cidades são centros de regiões, subordinando-se às grandes capitais regionais na hierarquia funcional urbana do Estado ou funcionando como sub centros coletores da produção e receptores de fluxos migratórios, tendo portanto importância em termos de oportunidade de negócios para a micro e pequena empresa, a produção familiar, artesanal e cooperativo-associativa, em todos os segmentos da economia, gerando emprego e renda nesses núcleos e municípios próximos.

Gregory Höllenmaul

Referências:

BERRY, Brian – Distribuição das Cidades por Tamanho (1961)

CHRISTALLER, Walter (1933)

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Doutorado sanduíche em Braga, Portugal

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Entrevista com Aline Gomes

Foto: Arquivo pessoal Aline Gomes

Aline Fonseca Gomes é uma valente sertaneja baiana que saiu de Feira de Santana para fazer o seu doutorado na Universidade Salvador, no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano (PPDRU). Orientanda do Prof.Dr.Noelio Dantaslé Spínola ela desenvolve uma pesquisa que resultará na tese intitulada: “O Desenvolvimento Local e a Cultura Organizacional: Um estudo comparativo entre o Centro Industrial do Subaé – CIS e o Centro Industrial do Minho”. Como ela mesma relata, com apoio da UNIFACS/PPDRU, conseguiu uma bolsa sanduíche da CAPES e partiu para um ano de pesquisa na região industrial do Minho, instalando-se na cidade de Braga, Norte de Portugal, onde segue a orientação do Prof.Dr. José Cadima Ribeiro, catedrático e diretor do departamento de Economia da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. Em outubro de 2011, Aline apresentou o seu III Seminário de Pesquisa, na Faculdade de Ciências Econômicas da UM, em Portugal, para uma banca composta pelos seus dois orientadores (Prof. Noelio e Prof. Cadima), logrando a aprovação necessária. Já de volta ao Brasil, em janeiro de 2013 defenderá a sua qualificação, último passo que antecede à defesa da tese que está prevista para fevereiro de 2013. Após a realização do Seminário Aline concedeu entrevista à equipe de reportagem do Stricto Sensu, como transcrito a seguir:

Imagem Adaptação: Rafael Coelli


Stricto Sensu:
Por que você decidiu fazer o “doutorado sanduiche”?
Aline Gomes: Por que acreditei que o “doutorado sanduiche” me possibilitaria o acesso a novos conhecimentos e ao meu crescimento pessoal e profissional, e assim está ocorrendo.

Como é que funciona este programa?
Eu cumpri os créditos das disciplinas no Brasil, na UNIFACS e estou realizando parte da minha pesquisa da tese em Portugal, onde possuo um orientador que orienta e supervisiona as minhas atividades de pesquisa em Portugal, durante 12 meses.

Por que Braga em Portugal?
Por que como sou funcionária pública da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS fui à busca de alguma Instituição Estrangeira cuja mesma possuía algum tipo de convênio com a UEFS, e então a Assessoria de Relações Internacionais me direcionou para a Universidade do Minho – UM que se situa em Braga – Portugal, e então, eu enviei meu projeto para um professor da área que se interessou e então, recebi a carta convite para realizar a pesquisa na UM.

Qual foi o apoio recebido da Capes para sua permanência em Portugal?
Bolsa Estágio de Doutorado, que inclui auxílio-mensalidade, auxílio-deslocamento (passagens de ida e de volta), auxílio-instalação e seguro saúde.

O apoio recebido $$ dá para você sobreviver aí ou precisa de socorro do Banco Pai?
Dá para sobreviver.

Valeu à pena? O que foi melhor e o que foi pior nesta experiência?
Está valendo muito a pena. O melhor dessa experiência é a possibilidade de conhecer bem de perto novas culturas, participar de Congressos Internacionais (inclusive publicar artigos em tais congressos), conhecer a dinâmica de uma Universidade Européia, além de fazer muitas amizades e estabelecer redes de contatos acadêmicos e profissionais. O pior é ficar longe da família.

E os “gajos” portugueses? São atrevidos como os nossos “tapuias”?
São gente boa, super respeitadores

A diferença cultural é grande? Aí tem feijoada?
O sotaque é diferente, as comidas são diferentes (deliciosas), é outra realidade… cidade calma, sem violência, com tudo de conforto e serviços que uma grande cidade oferece. Aqui tem feijoada sim, com feijão branco e polvo, que inclusive meu orientador brasileiro, o Prof. Noelio adorou.

Qual a sua avaliação da Universidade do Minho? E do seu orientador português…!
Fui muito bem recebida na Universidade do Minho, que é uma excelente Instituição, inovadora e aberta a parcerias. Eu estou muito satisfeita com o meu orientador português, pois ele tem me fornecido orientações brilhantes, muito material novo, inovador e críticas interessantíssimas para o melhor desenvolvimento da minha tese. Aliás, que em matéria de Desenvolvimento Regional, e Economia Local eles estão bem avançados no que se refere à literatura disponível para pesquisa.

Quais foram os maiores impactos culturais que você experimentou neste intercâmbio?
A diferença do sotaque, a gentileza dos portugueses, a segurança das cidades e a cultura organizacional das indústrias visitadas durante a pesquisa de campo.

Como você avalia o valor que a experiência do Doutorado Sanduíche agregou a sua carreira?
Contribuiu positivamente para minha formação como administradora, como professora, como pesquisadora e como pessoa. Cresci muito durante esses 12 meses. Foram marcantes e servirão de base para toda a minha vida profissional e pessoal.

Que conselho você daria a outros colegas que quisessem seguir seu exemplo?
Que vale a pena! Não é fácil… é correria para atender aos pré-requisitos da CAPES, é se instalar em um local novo, onde não se conhece ninguém. Mas é recompensador… CRESCER, aprender mais e mais, conhecer novas culturas, descobrir novas possibilidades, oportunidades e conhecimentos. Sei que a realização do “doutorado sanduiche” vai acrescentar muito ao meu currículo e a minha vida. Gostaria, então, deixar um pensamento de certo português “[…] Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” Fernando Pessoa

O Programa Institucional de Bolsas de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) da Capes é regulamentado pela Portaria n° 95 de 22 de junho de 2011, publicada no DOU nº 122, de 28 de junho de 2011, p.9.

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Casos de desenvolvimento regional

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Resenha do Livro: Casos de Desenvolvimento Regional

Quando se tornam claros o risco de valorização excessiva do curto prazo vale a pena dar atenção aos temas e aos processos que condicionam a melhoria sustentável da qualidade de vida. É disso que o desenvolvimento regional cuida. Casos de Desenvolvimento Regional é um livro diferente. No conteúdo e na forma. Concentrado na economia e na política do desenvolvimento regional estabelece uma ponte entre teoria e prática que visa preencher uma falha no mercado editorial. Foi escrito para satisfazer o público lusófono. Salvo duas contribuições o livro não contempla a realidade brasileira, o que não reduz a sua importância para o nosso público visto que sempre se aprende observando as experiências alheias. Adota a metodologia de “estudo de casos”, com exercícios propostos no final de cada capítulo. Possui alguns textos em inglês para viabilizar a sua utilização com estudantes não fluentes em português. Na sua primeira parte o livro discorre sobre a utilidade de vários métodos de análise espacial para descrever objetos de estudo no domínio do desenvolvimento regional. Assim destaca-se, no capítulo 2, o recente Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, aplicado nos territórios portugueses como um poderoso instrumento de planejamento estratégico . O capítulo 3 mostra como o conceito de cluster pode ser identificado na prática, com aplicações ao Minho e à região Centro de Portugal e o capítulo 4 ilustra como a econometria dos estimadores não-paramétricos pode ser mobilizada para esclarecer o fenômeno na região Norte de Portugal. Os modelos gravitacionais são outros “velhos conhecidos” dos cursos de análise espacial. O capítulo 5 mostra como um destes modelos, concretamente, o método da sobrevivência das cohorts, pode ajudar a fundamentar tecnicamente o planejamento de uma rede de equipamentos para utilização coletiva. Os capítulos 6 e 7 valorizam o interesse dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para conhecer as capacidades do território. Através de um exemplo, o capítulo 8 documenta como se pode fazer o plano estratégico de um conjunto integrado de ações coletivas que têm a dinamização das atividades econômicas como objetivo. Por fim, o capítulo 9 reflete sobre o efeito no desenvolvimento econômico de condições específicas da insularidade de uma pequena economia, usando as ilhas Tomé e Príncipe como caso de estudo. A segunda parte trata do crescimento econômico nas escalas territoriais e subnacionais, lida explicitamente com incursões quantitativas sobre a teoria do crescimento econômico. O capitulo 10 explora empiricamente a endogeneização do progresso tecnológico à Solow através da acumulação de capital humano. Uma comparação entre a Andaluzia e Espanha é oferecida para várias medidas de produto e produtividade. Já o capítulo 11 serve para suscitar a discussão sobre a eficácia das políticas de desenvolvimento regional na Europa. A terceira parte trata da localização das atividades econômicas e a gestão do território, reunindo várias contribuições sobre economia regional e urbana, ordenamento do território, engenharia dos transportes e arquitetura: localização de atividades econômicas. O capítulo 12 estuda a relação estatística entre a relocalização de setores industriais e a relocalização de setores terciários. O capítulo 13 ilustra, com o caso de São Paulo, o papel do transporte individual de passageiros no planejamento rodoviário em meio urbano. O capítulo 14 reflete sobre um dos principais instrumentos de gestão territorial: os Planos Regionais de Ordenamento do Território. O capitulo 15 apresenta o número de habitantes acessíveis a partir de três cidades da Beira Interior considerando vários cenários de dotações em infra-estruturas rodoviárias. Na quarta parte, sobre a formulação de políticas, o capítulo 16 é o mais conceitual e faz a discussão mais macro. Ilustra a aplicação das modernas teorias do desenvolvimento regional endógeno, nomeadamente as que acentuam o papel dos fatores menos tangíveis. O capítulo 17 complementa e aprofunda o conhecimento sobre estas teorias, explicando aspectos relativos ao processo de reconhecimento político de parcerias entre autores do desenvolvimento e discutindo os seus fatores críticos de sucesso. Ao mesmo tempo, é útil para quem queira recolher inspiração para conceber instrumentos deste tipo para outros países. O capítulo 18 é inteiramente aplicado à competitividade dos territórios de baixa densidade populacional e condicionado por dinâmicas de  desenvolvimento empobrecedor. Seguem-se outros tipos de instrumentos de política e escalas territoriais de intervenção. Assim, o capítulo 19 apoia-se na experiência de um pequeno município para nos cativar com a utilidade do planejamento estratégico na ação estrutural de um território português do interior. O capítulo 20 introduz os leitores a um instrumento ainda pouco conhecido em Portugal e que possui características úteis ao tecido econômico e empresarial dos territórios lusófonos de baixa densidade. A introdução é feita através do estudo de um caso, o Programa de Formação e Consultoria de Apoio à Criação de Empresas, (FAME) uma iniciativa original de governos locais em parceria com a sociedade civil, posteriormente adotada por uma agência do Ministério da Economia e estendida a todo o território continental. No capítulo 21, encontramos uma reflexão sobre insuficiências dos métodos em vigor nas ava-liações de impacto ambiental realizadas em Portugal. Finalmente, o capítulo 22, um dos dois que se referem ao Brasil, analisa o estado do Paraná. A parte quinta trata das aplicações de instrumentos de política e estratégias de eficiência coletiva. Assim os capítulos de 23 a 25 apresentam uma visão de economia política sobre o desenvolvimento regional. O capítulo 26 dá conta de uma experiência nas margens do Tejo. Trata-se de uma abordagem sociológica à possibilidade de conjugação entre patrimônio cultural e desenvolvimento econômico. O capítulo 27 coloca-nos perante um caso em que o patrimônio histórico construído pode ser o motor de uma estratégia coletiva de desenvolvimento econômico para territórios de baixa densidade. A fechar esta parte, o capítulo 28 traz a análise de uma observadora externa ao processo, sobre o Programa de Valorização Econômica de Recursos Endógenos (PROVERE).A parte seis trata da cooperação de base entre os agentes econômicos. Nela o capítulo 29, em inglês, expõe um caso inovador de sucesso: a criação de um parque de biotecnologia em espaço rural. O capítulo 30 apresenta um caso sobre a importância das redes de agentes econômicos para o desenvolvimento regional e a utilidade que as tecnologias de comunicação e informação podem trazer para a estruturação daquelas. Discute, em concreto, a experiência brasileira na indústria de transformação de madeiras no município de Buri, estado de São Paulo. A cooperação transfronteiriça é abordada no capítulo 31 através da experiência de uma das mais dinâmicas associações transfronteiriças de municípios da UE: o Espaço Atlântico do Noroeste Peninsular que atua nas regiões da Galícia, na Espanha, e Norte, em Portugal. A cultura como alavanca do desenvolvimento volta a ser examinada no capítulo 32 com o programa Arteemrede – Teatros associados em curso no Oeste e Vale do Tejo que mostra como a atenção ao pós-investimento deve nortear as próprias decisões de investimento. Na parte sete que trata de outras iniciativas de desenvolvimento regional endógeno, os capítulos 33 e 34 mostram como o empreendedorismo esclarecido num território de baixa densidade pode ter sucesso no mercado internacional com um produto do território. O capítulo 35 aborda o caso de outro recurso rural: a uva e a sua transformação vitivinícola. Discute o papel desse recurso rural tradicional na alavancagem de desenvolvimento econômico. O capítulo 36 argumenta em torno do papel do fator capital social na promoção de desenvolvimento econômico de base territorial. Já o capítulo 37 dá conta de um programa de desenvolvimento local baseado em turismo da Natureza, promovido pelo município de Montalegre, em pleno Parque Natural da Peneda-Gerês. O capítulo 38, em inglês, traz a introdução promissora a um tema ainda pouco explorado na literatura: como é que a natureza da interação entre escolhas orçamentais de governos locais impacta sobre o desenvolvimento do território servido por esses municípios? O capítulo 39 debruça-se sobre os problemas de degradação urbana e exclusão social no seio de uma área metropolitana. A oitava parte, a última do livro, reúne um conjunto de contribuições sobre avaliação de políticas ou avaliação da aplicação de instrumentos de política na promoção do desenvolvimento regional.

Gregory Höllenmaul

            Casos de Desenvolvimento Regional
Organizador: Rui Nuno Baleiras;
Editora: Princípia;
ISBN: 9789898131850;
Local de publicação: Cascais – Portugal;
N. capítulos: 46;  N. autores: 83;  N.  páginas: 798;
Preço: 31,46€ – Fob – Lisboa; Melhor
vendedor: http://www.wook.pt

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Semana de Analise Regional e Urbana – SARU

Publicado em by Diretor Executivo em Corpo Científico | 1 Comentário
Foto: Arquivo Informativo Stricto Sensu

Público formado por docentes e discentes nas palestras da VIII-SARU realizado no auditório da Pós-Graduação UNIFACS – 29/11/2011.

Volta a circular o Jornal Stricto Sensu, veículo de difusão do conhecimento e de idéias produzido pelo corpo discente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano – PPDRU. Tenho a honra de inaugurar este espaço do Jornal apresentando uma visão da SARU.

O primeiro passo é esclarecer que a SARU nasceu e sobreviveu graças à dedicação do Professor Doutor Alcides dos Santos Caldas, coordenador do programa de 2004 ao início de 2011. Foi ele que criou, buscou financiamento, reuniu meios, pessoas e encontrou o caminho em meio à estrutura acadêmica e, através da persistência a transformou em um evento permanente. Vamos proceder a um pequeno estudo de caso neste objeto de pesquisa definido: SARU. Leia Mais

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