Editorial

Por que Stricto Sensu?

Este pequeno jornal digital, agora totalmente assumido pelo corpo discente do Programa de Pós‐Graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano (PPDRU) da Universidade Salvador (Unifacs), segundo contam seus fundadores, nasceu em 2003, ano muito difícil para a pós‐graduação que enfrentava as drásticas restrições financeiras decorrentes da crise econômica nacional à época e a competição que ameaçavam a sua sobrevivência. O título escolhido, segundo os pioneiros, foi como um grito de afirmação na luta pela consolidação de um espaço arduamente conquistado, visto que, à época, não se acreditava que instituições de ensino particulares fossem capazes de realizar pesquisas e produzir conhecimento. Preconceito totalmente derrubado pela Unifacs.

Após seu segundo número o jornal parou de circular. Não porque houvesse sido reprovado, censurado ou criticado. Muito pelo contrário, foi recebido com grande simpatia em todos os segmentos da Universidade. Desapareceu por que é muito difícil publicar na Bahia. Falta vontade de escrever. Não é que os baianos não o saibam, mas é que gostam mais do discurso. Adoram a história oral. Ademais o jornal se propunha circular em versão impressa. Aí morava o problema. O custo de editoração mais a impressão em Salvador são proibitivos. E assim sendo o Stricto Sensu submergiu.

Vem à tona agora, trazido por uma geração entusiasta, onde se ressalta o papel de Paulo Patrício e Francisca Vasconcellos. O primeiro um ativo e irrequieto foguista, um catalisador que acelera ao máximo a produção das matérias e não deixa “a peteca cair”. A segunda uma serena, competente e generosa designer cujo talento viabilizou o novo formato gráfico do jornal, a criação de um site e a sua consequente inserção na web. Esta combinação é reforçada pelas judiciosas e bem humoradas intervenções da Antonia Carlinda, as preocupações turísticas do Leandro Gouveia e a metódica aplicação da Aliger Pereira. Outros também estão contribuindo, cada qual ao seu modo. Aqui também se registra, por um dever de justiça e gratidão, o apoio e incentivo derivados da coordenadora do programa, a Profa. Dra. Carolina de Andrade Spinola.

O jornal é independente política, institucional e financeiramente. No plano político porque é eminentemente universitário, democrático, entendendo que a universidade é o espaço da diversidade no sentido plural e, neste mesmo sentido, do debate, da discussão, do confronto de idéias sem o predomínio de vieses ideológicos à esquerda ou à direita. Bem que poderia assumir o lema do velho Voltaire, que muitos acham bem atual, quando dizia je ne suis pas d’accord avec un mot de ce que vous dites, mais je me battrai jusqu’à la mort pour votre droit de le dire. No plano institucional o Stricto Sensu está sob os cuidados do corpo discente dos cursos de pós‐graduação – mestrado e doutorado – em Desenvolvimento Regional e Urbano da Universidade Salvador. É financiado exclusivamente pelos estudantes que o produzem e por ele respondem, sendo assim, pois, independente. O que não impede que trabalhe pela pós‐graduação e privilegie a orientação e as diretrizes do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano da Unifacs (PPDRU). Do ponto de vista financeiro, é poético‐idealista, não tendo qualquer finalidade mercantil ou lucrativa. A moeda que para ele tem valor chama‐se cultura.

Mas, como acrescenta o Paulo Patrício vaticinando o futuro, com o seu estilo típico. Será “poético, mas incisivo, fará crítica, autocrítica e esclarecerá; falará do passado, do presente e apontará o futuro. (…) Desamarra as pontas políticas, vacinará contra as críticas anticonstrutivas, e dará o tom da liberdade que precisamos e na qual apostamos…”

Aceitará, também, a contribuição dos professores e de outros intelectuais que se disponham a nele escrever suas idéias. Buscará promover a maior integração dos corpos discente e docente do PPDRU e pela sua natureza stricto sensu trabalhará focando as áreas de concentração em processos urbanos e regionais do desenvolvimento e as linhas temáticas: do desenvolvimento e políticas regionais; e do desenvolvimento, políticas urbanas e redes de cidades. Na área de concentração em turismo e desenvolvimento trabalhará com a linha de pesquisa voltada para os circuitos internacionais e locais do turismo. Em outras palavras o seu foco concentrar‐ se‐á, stricto sensu, sobre a Economia Regional e Urbana, Planejamento Regional e Demografia, Geografia, Turismo e a Teoria do Desenvolvimento.

Os seus redatores esperam, com este pequeno grande jornal, produzir cultura a partir dos seus próprios esforços, interagindo com aqueles que orientam os seus passos acadêmicos. Como disse Norberto Bobbio: acreditam saber que existe uma saída, mas não sabem onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que possa indicá‐la, devem procurá‐la por si mesmos. O que o labirinto da vida ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum.

Bahia, novembro de 2011.
Gregory Höllenmaul
Editor