A mobilidade urbana e seus problemas no contexto da expansão urbana

A mobilidade urbana e seus  problemas no contexto da  expansão urbana

Imagem adaptação: Rafael Coelli

As grandes cidades brasileiras vêm sofrendo com os problemas relacionados à mobilidade urbana e aos seus sistemas de circulação e transportes. Com a aceleração da urbanização após a segunda guerra mundial, “as maiores cidades brasileiras começaram a vivenciar problemas graves de transportes e trânsito” (VASCONCELLOS, 2001, p. 22), conseqüência de planejamento urbano inadequado, do crescimento descontrolado da área urbana, do crescente aumento do número de veículos de uso individual, do sistema precário de transporte público, dentre outros.
Pode-se destacar que planejamento urbano e o sistema de circulação e transportes sempre estiveram associados, não devendo ser analisados de maneira isolada. Do mesmo modo, a gestão dos serviços de transporte coletivo urbano deve ser incluída neste contexto, pois se se apresentar desarticulada e inadequada às necessidades da população acaba por incentivar a utilização do transporte individual, intensificando os problemas relacionados à mobilidade urbana.
As discussões em torno desta temática incorporam desde a definição de algumas condicionantes relacionadas aos deslocamentos realizados no espaço urbano, para circulação de pessoas e bens através do uso das vias, até a construção de empreendimentos considerados Pólos Geradores de tráfego.

Intervenções para promoção da mobilidade urbana
É fato que a gestão administrativa das cidades precisa implementar medidas de gerenciamento da mobilidade, seja através dos serviços de engenharia de tráfego e da construção de vias alternativas de escoamento do fluxo, seja através da utilização de modais de grande capacidade com vistas à promoção de uma mudança de comportamento e atitude do cidadão usuário de automóvel particular. À medida que os problemas relacionados à mobilidade urbana se consolidam como uma realidade dos grandes centros, a gestão pública é chamada a refletir acerca do seu papel no processo de minimização destes impactos. Porém, não é incomum que a falta de planejamento leve à apresentação de propostas de ampliação ou readequação da infraestrutura, sem analisar as causas dos problemas e as condições existentes.
Prova disso é que mobilidade urbana é um tema atual e recorrente nos debates entre políticos e estudiosos, já que com o advento da Copa do Mundo 2014 e a eleição do Brasil como país organizador, as discussões acerca dos problemas de trânsito e dos longos congestionamentos – comuns nas cidades que sediarão os jogos – serem necessárias. Outro sim, a maioria delas não tem uma rede metroviária implantada e nem opções de transporte coletivo eficazes para atender à grande demanda de deslocamentos.

Desenvolvimento com mobilidade
É importante salientar que não se pode pensar o planejamento urbano de uma cidade apenas para adequá-lo à realização de eventos de curta duração. É preciso praticar o planejamento urbano centrado nos estudos de uso do solo e de transportes, objetivando a integração de diferentes modais e a melhoria do ambiente de circulação.
É necessário prever também situações que trazem consigo mudanças significativas para a cidade, a exemplo da construção de grandes empreendimentos como shopping centers, centros comerciais ou residenciais, universidades, haja vista os impactos que causam no tráfego do seu entorno. São os chamados Polos Geradores de Tráfego (PGT).
Se por um lado os PGTs produzem um grande número de viagens com reflexo negativo ao seu redor, por outro promovem a geração de novos empregos, a oferta de serviços, o aumento da renda per capita, além dos aspectos sociais e culturais, fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade. Deste modo, é fundamental que sua implantação seja incentivada, desde que ocorra com o mínimo de interferência e os projetos desses empreendimentos apresentem alternativas (previsão de infra-estrutura correspondente) para minimizar os impactos na mobilidade urbana da população.

Considerações finais
Os planejamentos urbano e de transporte e tráfego precisam ser analisados conjuntamente, para compreensão dos processos de uso da rede viária e do crescimento de uma cidade, abordando as intervenções. Governos e dirigentes podem ter opiniões divergentes e é natural que algumas medidas sejam calibradas para se adequarem a uma nova realidade. Porém, é indispensável que os planejamentos sejam isentos de qualquer viés político, posto que seus benefícios são para a cidade e sua população. Em especial, é necessário que os trabalhos de implantação das ações previstas nos planejamentos incorporem a realização de estudos complementares, o detalhamento de projetos e, no caso dos PGTs, a aprovação aconteça após análise criteriosa dos aspectos negativos para a população de sua área de influência.

Cláudia Sampaio de Jesus¹

Referências


¹. Graduada em Administração pela Faculdade Ruy Barbosa (FRB); especialista em Gestão Acadêmica pela UFBA; e mestranda do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano pela Universidade Salvador (UNIFACS). Profissional ligada à área de educação, atuou como a) Coordenadora de planejamento e ensino – atuando como pesquisadora institucional das Faculdades Nordeste (FANOR), Faculdade de Tecnologia Empresarial (FTE) e Área1; b) Coordenadora geral acadêmica e pesquisadora institucional da Faculdade Ruy Barbosa (FRB). Atualmente coordena o curso de Administração da UNIFACS, modalidade a distância, e atua como docente nos cursos de Bacharelado em Administração; Bacharelado em Comunicação e Marketing; Bacharelado em Ciências Contábeis e Tecnológico em Gestão Comercial da UNIFACS. Na área administrativa, possui experiência como gestora de Processos Organizacionais e Sistema de Qualidade ISO9000, em empresas nacionais e multinacional.

BOECHAT, Norberto Serádio. No Envelhecimento: O que Queremos? Rio de Janeiro: Frôntis Editorial, 1999. (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara. Transporte urbano, espaço e eqüidade: análise das políticas públicas . 2. ed. São Paulo: Annablume, 2001.

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Publicado em by Stricto Sensu em ARTIGOS

2 Responses to A mobilidade urbana e seus problemas no contexto da expansão urbana

  1. Stricto Sensu

    Parabéns Profª Cláudia pelo seu texto e pela sua coragem de focar seus estudos num tema tão grave e complexo como o da “mobilidade urbana”, especialmente em Salvador onde a mobilidade urbana está cada dia mais restrita.

    Paulo Patrício – PPDRU

  2. JORGE GERALDO DE JESUS ROSARIO

    Prezada Profesora Cláudia,

    A importância e pertinência no tema abordado
    mostra a existência de academicos preocupados com a qualidade de vida das pessoas, independente de sua condição de vida.

    Sucesso

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